| Texto publicado em 06/02/2012* - 08:25, segunda-feira. | por Padre Ari | | *Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 3 meses! |  Consciência não se confunde com opinião pessoal, sentimento subjetivo e livre arbítrio Refletir sobre lei natural, consciência, natureza e o próprio existir do ser humano, urgem frisar a distorção que a cultura contemporânea tem cometido ao inverter ou omitir a fonte Criadora dos conceitos acima citados. O teólogo Inglês John Henry Newman ao analisar criteriosamente essa realidade, observa: “(...) No pensamento moderno, a palavra “consciência” significa que em matéria de moral e de religião, a dimensão subjetiva, o individuo, constitui a última instância da decisão”. Ora, o subjetivismo visto sob essa ótica ofusca a possibilidade do ser humano vislumbrar um futuro, pois, a mesma vive atrelada exclusivamente a funcionalidade utilitária da razão e em torno de si própria. As conseqüências são nocivas, pois, dificultam o “ver” outras realidades além do factível. A concepção de Newman vai além do pragmatismo ao abordar os termos “razão, consciência e natureza”, ou seja, “...consciência significa a capacidade de “Verdade do homem”: capacidade de reconhecer precisamente nos âmbitos decisivos da sua existência – religião e moral – uma verdade, “a Verdade”. Para ele esse é o caminho da consciência, portanto, não é a estrada da subjetividade que irá responder o que seja a “Verdade”.
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 Nesse enfoque “consciência e Verdade” na concepção de Newman mostra que o pensamento do mesmo referente à consciência é moderno e personalista, o que não deixa entrever um tom agostiniano. “(...) Para muitos o seu significado já não é a responsabilidade da criatura em relação ao Outro, mas independência total, a autonomia absoluta, a mera subjetividade”.(L’Osservatore Romano. nº39-24/09/2011p.8). Por isso a partir da visão positivista a razão é “dessacralizada”, e a mesma é portadora de um niilismo na existência humana, ao se atribuir a si própria como fim último. Daí as conseqüências no significativo número de pessoas induzidas a um estado de vazio existencial, com depressão crônica e forte tendência ao suicídio, pois, lhes falta uma verdadeira referência na construção de um futuro com sentido.
A emancipação do homem de seu criador leva a desumanização Podemos afirmar que a emancipação do ser humano do seu Criador, impreterivelmente nos afasta do nosso próximo. Então se explica o derramamento de sangue entre irmãos ao longo da história de forma fria, pois, faltou o verdadeiro sentido de “consciência”, afinal no conceito iluminista é apenas funcional, isso conduz à morte por inanição e por de falta de alimento nações inteiras, mormente os países mais pobres, embora também os emergentes. Nunca como hoje há expressivo número de pessoas que precocemente vão à morte pela ausência dos elementos básicos para viver, apesar da abundância de alimentos. São posturas baseadas apenas em ideologias materializadas sob sistemas políticos, pobres de sensibilidade, sejam totalitaristas, neoliberais, capitalistas, comunistas que, aliás, seguem um modelo de economia desvinculada da própria sociedade que é seu fim último. Na verdade os pseudo-líderes obcecados pelo poder e o ter, perdem a sensibilidade para com o outro.
Newman descreve o significado e a dignidade da consciência da seguinte maneira: “(...) A norma e a medida do dever não é a utilidade, a conveniência, a felicidade do maior número de pessoas, a razão do Estado, a oportunidade, a ordem. A consciência não é um egoísmo clarividente, nem o desejo de ser coerentes consigo mesmo, mas sim a mensageira “D’aquele”, o qual, que no mundo da natureza, quer no da graça, nos fala por detrás de um véu e nos instrui e governa por meio dos seus representantes”. (ibidem). Chama a atenção na posição de Newman, ao definir “consciência”, de que nesse século que passou, o modismo do psicologismo destituiu na prática o “santuário do homem”, ou seja, a consciência sucumbiu a um subjetivismo barato e intimista, realidade que descaracterizou a essência da dignidade humana como “imagem e semelhança de Deus” (Gn.1,27). Basta observar que a própria pessoa tornou-se hoje, uma mercadoria descartável na economia de mercado quando, essa perde ao longo do tempo sua habilidade de trabalho pela idade. Que mundo é esse?
A consciência em Newman frisa que antropologicamente a mesma é portadora do germe da transcendência Newman é objetivo na conceituação de “consciência”, pois, nela decididamente mostra com convicção de que a consciência tem uma dimensão “transcendente”. Portanto, partindo desse pressuposto, ele vai muito além da funcionalidade da consciência e da razão que quer exaurir em si própria como verdade última, a partir do princípio iluminista e positivista. “(...) Consciência não é uma realidade puramente autônoma, mas essencialmente teocêntrica – um “Santuário” no qual o Outro se dirige pessoalmente a cada uma das almas. E mais: Confirma o que grandes doutores da Igreja diziam: O Criador imprimiu na criatura racional a sua Lei. Esta Lei, dado que é sentida pela mente de cada homem, chama-se “consciência” e mesmo que possa sofrer diversas refrações passando através da inteligência de cada ser humano, não é por isso afetada a ponto de perder o seu caráter de lei divina” (ibidem).
As novas gerações precisam atenção a teorias e modismos que hoje circulam por meios diversos, mormente, universitários, meios de comunicação de massa e buscar uma sustentação teórica mais sólida daquilo que nos repassam nas escolas, universidades, e na mídia. Para encontrar um sentido existencial que valha a pena empenhar-se é necessária uma busca mais intensa do que seja “VERDADE”, pois, não é a razão dentro do conceito positivista que vai responder as grandes perguntas do ser humano, mas sim, o caminho da “Verdade” que vai além da temporalidade, embora essa comece aqui.
Pense e reflita! |  | |
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