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| Texto publicado em 30/01/2012* - 09:18, segunda-feira. | por Padre Ari | | *Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 3 meses! |  A Consciência é um Valor Sagrado e Inestimável, pois é o "Santuário do Homem" “A relação que existe entre a liberdade do homem e a lei de Deus tem sua sede viva no “coração” da pessoa, ou seja, na sua consciência moral” (Carta Encíclica de João Paulo II, Splendor Veritatis. p. 89. 8ª Ed. 2006). E continua: “(...) No fundo da própria consciência, o homem descobre uma lei que não se impôs a si mesmo, mas à qual deve obedecer; essa voz, que sempre o está chamando ao amor do bem e fuga do mal, soa no momento oportuno, na intimidade do coração: faze isto, evita aquilo. O homem tem no coração uma lei escrita pelo próprio Deus: a sua dignidade está em obedecer-lhe, e por ela é que será julgado” (Rm 2,14-16).
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 A problemática que a cultura contemporânea tem dificuldade em assimilar é o princípio moral baseado na “Lei natural”, pois, aí reside justamente a conceituação reducionista de teorias e ideologias que se formaram a partir do critério subjetivista, ou seja, indo na contramão clássica e objetiva do termo “natureza”. A absolutização da razão que teve seu apogeu a no Iluminismo do século XIX, fez com que a mesma tivesse um rumo unidimensional, ou seja, apenas de funcionalidade utilitária e ponto final. Ora, essa é a raiz da qual brota a angústia e a ansiedade que o homem atual vive, proveniente de um niilismo vazio sem horizonte para o futuro.
O ser humano sedimentado nesse pragmatismo existencial perdeu o sentido da própria história da qual deveria ser o protagonista. “(...) É preciso ter presente de que a consciência moral não encerra o homem dentro de uma solidão intransponível e impenetrável, mas abre-o à chamada, à voz de Deus” (SV p. 93).
A Cultura contemporânea omitindo o criador como fonte, lesa a integralidade antropológica, sua natureza e consciência
A antropologia cultural ao estudar e analisar a vida de povos aborígenes, ágrafos, percebeu que os mesmos no contexto de suas vidas todos traziam bem presente, aliás, e com profundo rigor, regras claras, determinadas e relacionadas ao comportamento de cada membro dentro de suas comunidades. Pergunta-se: Quem os ensinou? Quem prescreveu regras para a condução harmoniosa na convivência social desses povos? Plutarco dizia: “Podereis encontrar povos sem exércitos, sem muralhas, mas jamais encontrareis algum que não tenham seus deuses” (apud GRINGS, Dadeus. A Força de Deus na fraqueza do homem. EST/SULINA).
Parece um contra senso, tanto do ponto de vista histórico, filosófico e cultural expresso num racionalismo exarcebado que essa manifestação na estruturação dessas comunidades, seja negada que existe um germe que não procede simplesmente da razão humana. Negar a partir desse pressuposto sociológico, que não haja no coração de cada ser humano uma semente que não é de natureza humana e ultrapassa o simples existir da própria razão, é omitir o óbvio. São Paulo na Carta aos Romanos alude com muita propriedade essa questão ao afirmar: “Por que quando os gentios, que não têm Lei, cumprem naturalmente os preceitos da Lei, não tendo eles lei, a si mesmos servem de Lei. Deste modo, demonstram que o que a lei ordena está escrito nos seus corações, dando-lhes testemunho disso a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os” (Rm 2,14-15).
O homem ao longo da história em muitas ocasiões sempre teve a tentação de se emancipar do Criador, embora focando retrospectivamente as experiências trágicas parece que não aprendeu com o amargo fracasso. Dar a vida por ideologias seja qual for é colocar a mesma numa fossa. O princípio que deve reger a conduta é sempre a “VERDADE” e essa possui outro teor.
Consciência e verdade estão intimamente interligadas
São Paulo na Carta a Timóteo diz: “O homem, para ter uma “boa consciência” deve procurar a Verdade e julgar segundo a mesma Verdade (Tm 1,5). E complementa: “A consciência deve ser iluminada pelo Espírito Santo” (Rm 9,1; deve ser pura (2Tm 1,3), não deve com astúcia adulterar a palavra de Deus, mas manifestar claramente a Verdade (2Cor 4,2). Por outro lado o mesmo apóstolo adverte os cristãos dizendo: “Não vos conformeis com a mentalidade deste mundo mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, a fim de conhecerdes a vontade de Deus: o que é bom, o que lhe é agradável e o que é perfeito. (Rm 12,2). Esses textos são pressupostos fundamentados na Sagrada Escritura, que mostra a importância de uma formação profundamente ligada a “transcendência”, elemento que a cultura contemporânea através de certos pensadores insiste em colocar na linha das subculturas. Ora, esse é erro grasso e demonstra um desconhecimento de uma filosofia personalista que elege o homem na sua dignidade. A funcionalidade racional não responde aos problemas existenciais, ao contrário, suscita muitos outros questionamentos que conduz ao vazio e ao sem sentido.
“(...) O confronto entre a posição da Igreja e a situação sócio-cultural de hoje põe imediatamente a descoberto a urgência de se desenvolver precisamente sobre esta questão fundamental, um intenso labor pastoral por parte da própria Igreja”(SV p. 133). Penso que o maior desafio da Igreja na atualidade está em eleger como uma das prioridades mais prementes, a evangelização da cultura e os formadores de opinião. Percebe-se que nas pastorais acentua-se muito o popular, aliás, que na verdade não deixa de estar correto e tem sua razão de ser, embora haja uma lacuna consciente ou não, no diálogo com os formadores de opinião, pois, é na transversalidade das múltiplas ideologias e correntes estranhas em voga que desafia a evangelização. É necessário maior exigência na formação dos discípulos-missionários, sejam nos agentes de pastoral, na formação dos novos sacerdotes, religiosos, consagrados, para conhecer melhor e mais profundamente a raiz epistemológica das muitas correntes que circulam entre os cristãos hoje. Em boa hora a proclamação do “Ano da Fé” terá pela frente uma tarefa difícil. O ponto de partida deverá ser a “Leitura Orante da Palavra de Deus”, seguindo o testemunho de toda a Igreja, a centralidade da Eucaristia que dá sustentação no apostolado, a pastoral da acolhida e ter tempo para as pessoas que buscam com sede uma palavra e orientação no entremeio de tantas ofertas que carecem de uma fundamentação séria que as conduz a “Verdade” que é Cristo, promover estudos das várias áreas do conhecimento para capacitar, discernir o caminho para dialogar com um mundo em constante transformação permeado por inúmeras ideologias e modismos sem uma fundamentação consistente que leve a um compromisso com Cristo na construção do “Reino”, caracterizado pela justiça, pela paz, solidariedade entre as pessoas.
Pense e reflita! |  | |
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